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Corrida a Cavalo (Rejoneador) — Guia Oficial da Tauromaquia Equestre

Corrida a Cavalo (Rejoneio): Guia Oficial da Tauromaquia Equestre Espanhola

A corrida a cavalo, chamada rejoneo em espanhol, é uma das formas mais antigas e nobres da tauromaquia. Em vez de combater a pé com a muleta, o matador — chamado rejoneador — enfrenta o touro montado num cavalo puro-sangue especialmente treinado. Esta disciplina alia arte equestre, coragem do cavaleiro e inteligência dos cavalos num espetáculo de beleza única no mundo.

Praticada em Espanha, Portugal e vários países da América Latina, a corrida a cavalo atrai um público crescente que aprecia o seu aspeto coreográfico e a maestria equestre. Este guia oficial explica a origem do rejoneio, o seu desenrolar detalhado, os rejoneadores atuais mais prestigiados e tudo o que precisa saber para assistir a um espetáculo em Madrid em 2026.

O que é a corrida a cavalo?

O rejoneio é uma variante da corrida tradicional onde o matador combate o touro exclusivamente a cavalo, sem nunca descer. O rejoneador utiliza vários instrumentos durante o combate: a garrocha (longa lança), os rejones de castigo, as banderillas montadas e o rejón de muerte final. O combate dura cerca de 20 minutos por touro, contra 15 numa corrida clássica.

O cavalo é o elemento central: um rejoneador trabalha com 4-6 cavalos diferentes durante um único combate, cada um especializado numa fase. O treino leva anos e custa somas consideráveis. Os melhores cavalos provêm de raças espanholas, portuguesas ou lusitanas, selecionadas pela coragem, inteligência e capacidade de ler o touro.

História e origens do rejoneio

O rejoneio precede a corrida moderna a pé. Na Idade Média e durante o Renascimento, só a nobreza praticava a tauromaquia, exclusivamente a cavalo, como treino militar. Quando o rei Filipe V (século XVIII) proibiu aos nobres estas práticas julgadas perigosas, o povo continuou a pé com a capa, dando origem à corrida atual. O rejoneio conservou assim o seu aspeto aristocrático e cavalheiresco.

Hoje, o rejoneio é uma disciplina paralela que partilha as praças com a corrida clássica. Em Portugal, é mesmo a forma dominante (a morte em arena está proibida desde 1928, sendo o touro simplesmente dominado pelos forcados no final). Em Espanha, as corridas mistas (a pé + a cavalo) são frequentes durante as grandes ferias.

Característica Corrida a cavalo (Rejoneio) Corrida clássica (a pé)
Posição do matador Sempre a cavalo A pé com capa e muleta
Duração por touro 20-25 minutos 15-20 minutos
Número de animais 1 rejoneador + 4-6 cavalos + 1 touro 1 matador + 1 touro
Origem histórica Nobreza medieval Povo, século XVIII
Recompensas Orelhas + saudação do cavalo Orelhas + cauda

Desenrolar de uma corrida a cavalo

O combate divide-se em três fases distintas, cada uma utilizando um cavalo e um instrumento diferente. A primeira fase é a da garrocha: o rejoneador entra com um cavalo rápido para medir a bravura do touro e colocar o primeiro rejón de castigo (lança curta) no morrillo. Esta fase substitui as picas da corrida clássica.

A segunda fase é a das banderillas a cavalo, considerada a mais espetacular. O rejoneador muda de montada para um cavalo ainda mais ágil e coloca 4-5 pares de banderillas executando passes vertiginosos diante dos chifres. Os melhores rejoneadores realizam aqui proezas que fazem levantar o público, nomeadamente as “banderillas cortas” colocadas a galope.

A fase final é a do rejón de muerte: o rejoneador muda para o seu melhor cavalo e coloca uma longa lança na zona letal do touro. A precisão é crucial — um mau golpe necessita do uso do descabello, o que penaliza fortemente o desempenho. Se a morte é perfeita, o público pede orelha, cauda e celebra também o cavalo que saúda com o seu cavaleiro.

Os rejoneadores mais célebres

A história moderna do rejoneio é dominada por algumas figuras lendárias. Pablo Hermoso de Mendoza (navarro) revolucionou a disciplina nos anos 1990-2010 com o seu cavalo Cagancho, tornado ícone mundial. Diego Ventura (sevilhano), considerado atualmente o melhor do mundo, levou o rejoneio a um nível artístico inédito. Os seus cavalos Lío, Bronce e Remate são eles próprios estrelas.

Outras figuras importantes incluem Andy Cartagena, Léa Vicens (a primeira mulher a dominar o rejoneio internacional), Sergio Galán e Guillermo Hermoso de Mendoza (filho do lendário Pablo). Portugal tem também os seus cavaleiros emblemáticos: João Moura, João Telles, Marcos Bastinhas. Em Madrid, os rejoneadores atuam sobretudo nas corridas de maio-junho durante San Isidro.

Os cavalos de rejoneio: atletas de elite

Um cavalo de rejoneio custa entre 50.000€ e 500.000€ consoante a idade, treino e palmarés. O treino começa aos 4 anos e dura 5-7 anos antes de estar pronto para o combate. Os cavalos aprendem a ler o touro, antecipar os seus movimentos, acelerar ou travar a comando, executar piaffés e passages como na dressage clássica.

Raça Origem Característica principal
Pura Raça Espanhola (PRE) Andaluzia Elegância, força, coragem
Lusitano Portugal Agilidade excecional
Hispano-Árabe Andaluzia Resistência, velocidade
Cruzado Cruzamento PRE/Lusitano Polivalência

Onde ver uma corrida a cavalo em 2026?

Em Madrid, Las Ventas programa geralmente 3-4 corridas a cavalo durante San Isidro (maio-junho) e 1-2 durante a Feria de Otoño (outubro). As corridas dominicais fora-feria incluem ocasionalmente espetáculos equestres. Os bilhetes custam em média 20% menos que as corridas clássicas porque o público menos conhecedor as vê como menos prestigiadas.

Outros locais de destaque: Aranjuez (junho) com a sua tradição equestre real, Sevilha (Feria de Abril, Feria de San Miguel), Lisboa (Campo Pequeno todo o ano), e Saragoça (Pilar em outubro). Os rejoneadores giram muito, o que multiplica as oportunidades. Consulte os cartéis oficiais a partir de abril para planear.

Limitações e controvérsias

O rejoneio levanta questões específicas ligadas ao uso dos cavalos. Os defensores sublinham que os cavalos modernos estão protegidos por armaduras (peto) desde 1928 e que os ferimentos graves são raros. Os críticos anti-tauromaquia apontam que o cavalo é colocado em perigo e que o espetáculo permanece fundamentalmente uma morte. Em Portugal, o compromisso foi encontrado proibindo a morte em arena.

Note também que algumas regiões proíbem qualquer forma de tauromaquia: Catalunha (desde 2010), Canárias (desde 1991). Nos Açores e Madeira, a corrida é também rara. As comunidades autónomas mais ativas para o rejoneio são Andaluzia, Navarra, Aragão, Castela e Madrid.

Perguntas frequentes sobre a corrida a cavalo

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